quarta-feira, 25 de julho de 2012

Os ingredientes para posts de sucesso no Facebook: o DNA das boas ideias (parte 2)


Assim como os genes, produtos do pensamento esforçam-se para serem passados adiante. Essa analogia de Richard Dawkins sugere que as ideias competem entre si por atenção e sobrevivência na memória das pessoas. Se o leitor aceitar a contribuição do biólogo britânico, então um campo vasto de debate sobre comunicação e informação se abre. É especialmente útil para entendermos um pouco mais sobre a dinâmica em redes sociais como o Facebook, onde a audiência do conteúdo publicado é facilmente mensurada por números de usuários curtindo e compartilhando.

Em redes sociais, acho particularmente interessante observar a movimentação de ideias disputando um mesmo posto de legitimação. Como somo impelidos a discordar ou concordar, participando e opinando, movimentando as engrenagens desse jogo. É um esquema que se arma para que selecionemos naturalmente as melhores ideias. E tanta disputa faz com que elas se combinem, se transformem, aperfeiçoem-se pela experiência e evoluam ao longo do tempo, sob a pena de cair no poço do esquecimento.
No post anterior, sugeri (pretensiosamente, confesso) quatro fatores que, quando combinados, se configurariam na “fórmula mágica” para postagens de sucesso nas redes sociais. Em perspectiva dawkiniana, foi como analisar o DNA das boas ideias. Nessa postagem, ampliei o espectro da análise para perceber como a coisa acontece. Como resultado de tudo que falei aqui até então, destaco um quinto elemento que não tem a ver com a mensagem propriamente dita, pois atua fora dela: a circunstância.
A circunstância é a situação geral de tudo e de todos no momento em que a mensagem é veiculada. O contexto de outras ideias vai definir o quanto uma ideia em particular será bem sucedida. Não importa o quanto ela esteja bem preparada para permanecer se for lançada em um ambiente com elementos de maior estado de repercussão. A circunstância abraça causas mais gerais de influência como: a época, os costumes, os valores, as necessidades, as habilidades, as notícias, os ambientes, a moda, a tecnologia, as leis, a economia e assim vai.
A mensagem deve adaptar-se à circunstância, e não ao contrário. O velho adágio resume bem o que quero dizer: “não é o que dizemos, mas como dizemos”. Escolher como dizer algo é uma tarefa que tem maiores chances de sucesso se soubermos para quem vamos falar. A regra é simples: defina o seu público alvo e faça com que ele compreenda corretamente, com emoção, sem desconfiança e com interesse.

Os ingredientes para posts de sucesso no Facebook: o DNA das boas ideias (parte 1)

Sugiro aqui uma pequena reflexão sobre os fatores que definem o êxito de alguns conceitos, imagens, metáforas, ideias, teorias, opiniões, estilos musicais e tantas outras fontes de significados nas redes sociais: o que faz com que se multipliquem e se mantenham presentes?
Uma investigação aprofundada dessa questão traz à tona um grupo de quatro tópicos que explicam o sucesso de uma determinada mensagem.

A COMPREENÇÃO
Antes de tudo, é necessário que se compreenda algo, certo? Afinal, a razão de ser de uma mensagem é a transformação por meio da comunicação. E o ser humano é uma máquina de interpretar e compreender. Ele pode inclusive interpretar de maneira pouco convencional, captando um sentido distante do pretendido pelo comunicador. Até mesmo quando a mensagem não carrega sentido aparente, ele encontrará um para ela. A pergunta a ser respondida aqui não é se ele vai compreender, mas sim o que ele vai compreender.

A EMOÇÃO
Diz-se que o que realmente motiva as ações são as emoções. A razão apenas encontra justificativa. Sendo assim, a carga emotiva de uma mensagem diz muito sobre sua capacidade de manter-se em foco.
Defina o quanto um conteúdo é capaz de atrair atenção respondendo se ele causa algum sentimento: prazer, dor, raiva, repugnância, espanto, alegria ou qualquer outra coisa? Caso tenha respondido afirmativo, então a mensagem contém carga emotiva e potencial para chamar atenção. Caso contrário, pode acabar sendo ignorada involuntariamente ou esquecida em um curto espaço de tempo.

A ORIGEM
O que ou quem originou a mensagem? É derivada de uma empresa ou entidade? É opinião de uma pessoa de reputação conhecida? Quais são as intenções dessa pessoa ao divulgar essa mensagem?  A mensagem é apresentada, ou ao menos comentada, por alguém de destaque em um determinado grupo?
São questões que interferem de tal forma que uma mesma ideia compartilhada por duas pessoas diferentes dificilmente causaria a mesma repercussão. Isso, por três motivos: credibilidade e/ou prestígio (o fascínio que a pessoa gera nos demais age como um facilitador de assimilação e aceitação da mensagem) e/ou posição social.

A UTILIDADE
Refiro-me aqui à importância da mensagem. Seria ela útil de alguma maneira? Ela promete algo? A resposta para essas duas perguntas primeiramente tem um tom pessoal, ou seja, respondemos inseridos no escopo de nossas próprias necessidades: como vou usar isso? / isso serve de alguma maneira para que eu possa resolver meus problemas ou evitá-los? / isso me dá alguma vantagem? 
Se existir uma utilidade para uma informação qualquer, resistirá o interesse naquele que assim compreendê-la.
Em um segundo momento, definimos níveis de relevância julgando a partir do meio social. É o exato momento em que nos perguntamos “o que os outros vão achar disso?”. Curiosamente, a faceta social da utilidade tem raízes individualistas. Isso acontece porque é normal que aquilo jogado no ambiente online também sirva para afirmar uma identidade: as mensagens compartilhadas ou curtidas moldam a maneira como somos vistos pelos outros no Facebook. Todos nós queremos vivenciar relações sociais positivas de compreensão, aceitação e admiração, e essas são necessidades puramente pessoais.



Esta é a primeira parte de uma série que explica postagens de sucesso no Facebook. Na parte 2, falaremos sobre a dinâmica que governa os quatro tópicos apresentados aqui.