Assim como os genes, produtos do pensamento esforçam-se para serem passados adiante. Essa analogia de Richard Dawkins sugere que as ideias competem entre si por atenção e sobrevivência na memória das pessoas. Se o leitor aceitar a contribuição do biólogo britânico, então um campo vasto de debate sobre comunicação e informação se abre. É especialmente útil para entendermos um pouco mais sobre a dinâmica em redes sociais como o Facebook, onde a audiência do conteúdo publicado é facilmente mensurada por números de usuários curtindo e compartilhando.
Em redes sociais, acho particularmente interessante observar a movimentação de ideias disputando um mesmo posto de legitimação. Como somo impelidos a discordar ou concordar, participando e opinando, movimentando as engrenagens desse jogo. É um esquema que se arma para que selecionemos naturalmente as melhores ideias. E tanta disputa faz com que elas se combinem, se transformem, aperfeiçoem-se pela experiência e evoluam ao longo do tempo, sob a pena de cair no poço do esquecimento.
No post anterior, sugeri (pretensiosamente, confesso) quatro fatores que, quando combinados, se configurariam na “fórmula mágica” para postagens de sucesso nas redes sociais. Em perspectiva dawkiniana, foi como analisar o DNA das boas ideias. Nessa postagem, ampliei o espectro da análise para perceber como a coisa acontece. Como resultado de tudo que falei aqui até então, destaco um quinto elemento que não tem a ver com a mensagem propriamente dita, pois atua fora dela: a circunstância.
A circunstância é a situação geral de tudo e de todos no momento em que a mensagem é veiculada. O contexto de outras ideias vai definir o quanto uma ideia em particular será bem sucedida. Não importa o quanto ela esteja bem preparada para permanecer se for lançada em um ambiente com elementos de maior estado de repercussão. A circunstância abraça causas mais gerais de influência como: a época, os costumes, os valores, as necessidades, as habilidades, as notícias, os ambientes, a moda, a tecnologia, as leis, a economia e assim vai.
A mensagem deve adaptar-se à circunstância, e não ao contrário. O velho adágio resume bem o que quero dizer: “não é o que dizemos, mas como dizemos”. Escolher como dizer algo é uma tarefa que tem maiores chances de sucesso se soubermos para quem vamos falar. A regra é simples: defina o seu público alvo e faça com que ele compreenda corretamente, com emoção, sem desconfiança e com interesse.
Leia o próximo artigo dessa série: Os ingredientes para posts de sucesso no Facebook: o DNA das boas ideias (parte 3)
Leia o primeiro artigo dessa série: Os ingredientes para posts de sucesso no Facebook: o DNA das boas ideias (parte 1)


